quinta-feira, 16 de junho de 2011


                   GESTÃO ESCOLAR

Você sabe como se chama a cozinheira que prepara a merenda? E o rapaz que recebe as crianças no portão? Conhecer os funcionários pelo nome e tratá-los com respeito é essencial para uma boa gestão de equipe. É uma maneira de valorizar o indivíduo e dar o exemplo para que a consideração pelo outro seja a base da convivência escolar. Afinal, o tratamento que o gestor dispensa ao grupo serve de referência aos colegas e alunos.
Qualquer profissional da área administrativa, de limpeza, da cozinha ou da segurança é um educador e sua atuação contribui para a melhoria do trabalho pedagógico. Ao receber bem os alunos e os pais, o porteiro, por exemplo, cria uma relação mais próxima com todos e pode, com isso, ter um controle maior de quem circula por ali, garantindo um ambiente seguro ao aprendizado.
Elogiar um serviço bem feito também é uma forma de reconhecer o funcionário. "Certa vez, um segurança que começou a trabalhar em uma universidade exigiu a identificação do reitor para deixá-lo entrar. Ao perceber o constrangimento do porteiro, o chefe fez questão de parabenizá-lo em público pela seriedade com a qual exerce seu trabalho", conta o coordenador do curso de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo, Luciano Venelli Costa. Se o gestor fosse prepotente, teria se sentido ofendido e destratado o profissional.
Para que um funcionário exerça seu papel a contento, é preciso dar condições, valorizando-o e integrando-o ao grupo. Promover encontros periódicos para ouvi-los e discutir questões pontuais, assim como convidá-los às reuniões de equipe, são boas iniciativas. Sugerir ainda que acompanhem os alunos nas excursões, além de melhorar a formação cultural, facilita a interação. Só não vale chamá-los para conversas em que eles não poderão colaborar. "Se o tema não tem a ver com o que fazem, eles podem se sentir deslocados", alerta Costa.


UMA NOVA RELAÇÃO Em menos de um ano, Telma Nespolo
uniu professores e servidores em prol da aprendizagem
dos alunos. Foto: Ferreira Nascimento

Uma equipe de verdade



"Em 2001, ao assumir a direção da EMEF Padre Emílio Becker, em Presidente Prudente, a 560 quilômetros de São Paulo, encontrei professores e funcionários executando suas tarefas sem interagir, sem se comunicar e sem se preocupar com o desempenho geral da escola. O descaso era tão grande que cheguei a ver funcionários se negando a ajudar as crianças quando elas caíam. A frase mais ouvida nos corredores era ‘Essa não é minha função’, o que criava um jogo de empurra-empurra constante: se um aluno estava fora da sala em horário de aula, o inspetor culpava o professor de tê-lo deixado sair e o professor acusava o inspetor pela falta de fiscalização.


Juntos, o vice-diretor, a orientadora pedagógica e eu apostamos que a solução para esse problema seria mostrar a importância de cada um para a escola virar um local bom para as crianças aprenderem e também para nós trabalharmos. Por isso, todos precisavam se envolver na conquista de resultados. Começamos convidando os 15 funcionários para participar da reunião anual de planejamento (até então, só os professores eram convocados).
No primeiro encontro, para quebrar o gelo, montamos grupos com representantes de todos os setores da escola e sugerimos atividades que propiciassem discutir temas como a necessidade de ações conjuntas para atingir as metas. Em seguida, todos responderam individualmente a um questionário, analisando a própria rotina e os processos de funcionamento da escola. Sob a coordenação da equipe gestora, regras e combinados foram discutidas e reformuladas, o projeto pedagógico foi debatido e estabelecemos metas de desempenho. Com base nessas conclusões, os grupos - dessa vez reunidos por setor - traçaram os objetivos de cada função e reorganizaram as atividades cotidianas. Os funcionários de limpeza dividiram entre eles as salas e os horários para que os espaços estivessem sempre limpos. As cozinheiras discutiram como servir a merenda e, ao mesmo tempo, promover a autonomia dos pequenos. Os inspetores decidiram o esquema de entrada das crianças a fi m de evitar atrasos. Os vigias marcaram os horários das rondas para melhor cuidar do entorno da escola. E os professores escolheram os projetos didáticos e os temas das pautas que gostariam de ver contempladas nos momentos de formação. Ao longo do ano, os grupos continuaram se reunindo periodicamente para resolver questões específicas de cada área. Assim, todos passaram a se sentir educadores e, em menos de um ano, a falta de integração terminou e os conflitos se amenizaram. Comecei a sentir que estava se formando uma equipe de verdade."






TELMA NESPOLO, diretora da EMEF Padre Emílio Becker, em Presidente Prudente, SP.

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